Neurociência e educação: como o cérebro aprende

Autor(es): Cosenza, Ramon M.
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13 capítulos

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1. O MAPA

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O MAPA

Neste capítulo, veremos como se organiza o sistema nervoso em termos anatômicos e funcionais com o objetivo de compreender seu envolvimento na interação do organismo com o ambiente e nos processos de aprendizagem.

A ORGANIZAÇÃO GERAL, MORFOLÓGICA

E FUNCIONAL DO SISTEMA NERVOSO

Todos os seres vivos precisam estar em permanente intercâmbio com o meio em que vivem. Para sobreviver, devem interagir com ele, identificando suas características e produzindo respostas adaptativas, tais como localizar alimentos, encontrar parceiros para a reprodução ou fugir de predadores e de outros perigos. Nos animais, é o sistema nervoso que se encarrega de estabelecer essa comunicação com o mundo ao redor e também com as partes internas do organismo. O cérebro, como sabemos, é a parte mais importante do nosso sistema nervoso, pois é através dele que tomamos consciência das informações que chegam pelos órgãos dos sentidos e processamos essas informações, comparando-as com nossas vivências e expectativas. É dele também que emanam as respostas voluntárias ou involuntárias, que fazem com que o corpo, eventualmente, atue sobre o ambiente.

 

2. UM UNIVERSO EM MUTAÇÃO

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UM UNIVERSO EM MUTAÇÃO

Neste capítulo, veremos como o cérebro se organiza durante o período de desenvolvimento embrionário e como mantém a plasticidade que lhe permite uma contínua reorganização, que vem a ser a base do fenômeno da aprendizagem e da modificação comportamental.

O DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA NERVOSO,

A NEUROPLASTICIDADE E A APRENDIZAGEM

Vimos no capítulo anterior como o cérebro se liga aos órgãos periféricos tanto para receber informações como para enviar os comandos que permitem a interação com o mundo exterior (e, da mesma forma, com o interior do organismo).

Essas vias, motoras e sensoriais, são semelhantes no sistema nervoso da espécie humana e no de outros vertebrados, como um rato ou uma rã. Isso indica que esse padrão de organização do sistema nervoso foi estabelecido ao longo do tempo, nos milhões de anos da evolução animal.

Em relação à nossa espécie, sabemos que não existem dois cérebros iguais, mas podemos afirmar que todos temos vias motoras e sensoriais que seguem o mesmo padrão. Elas estão previstas nas informações genéticas de nossas células e são construídas enquanto nosso organismo se desenvolve dentro do útero materno. Quando a criança nasce, já tem prontos em seu cérebro esse conjunto de circuitos, ainda que eles não estejam funcionando em sua plenitude. A maior parte do nosso sistema nervoso é construída, em suas linhas gerais, ainda no período embrionário e fetal.

 

3. A LANTERNA NA JANELA

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A LANTERNA NA JANELA

Neste capítulo, veremos as bases neurobiológicas do fenômeno da atenção e como sua compreensão pode contribuir para o aprimoramento do ensino e da aprendizagem

A ATENÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES NA APRENDIZAGEM

No primeiro capítulo relatamos como diferentes formas de energia do ambiente podem impressionar nossos receptores sensoriais periféricos e serem conduzidas como informação ao sistema nervoso central. Na verdade, boa parte dessa informação não chega a ser processada, não só porque é desnecessária e seria pouco econômico cuidar dela, mas também porque nosso cérebro, apesar de constituído por bilhões de células interligadas por trilhões de sinapses, não tem a capacidade de examinar tudo ao mesmo tempo. Por isso, a natureza nos dotou de mecanismos que permitem selecionar a informação que é importante. Através do fenômeno da atenção somos capazes de focalizar em cada momento determinados aspectos do ambiente, deixando de lado o que for dispensável.

Tomemos como exemplo a estimulação causada pela roupa que vestimos.

 

4. A CENTRAL DE OPERAÇÕES

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A CENTRAL DE OPERAÇÕES

Neste capítulo, veremos a memória operacional (ou memória de trabalho), que é importante para manter as informações na consciência por algum tempo e para criar as condições para o seu armazenamento permanente.

A MEMÓRIA OPERACIONAL OU MEMÓRIA DE TRABALHO

A impressão inicial quando pensamos na memória é a de que se trata de um fenômeno unitário, responsável por nossas lembranças conscientes. Na realidade, existem diferentes tipos de memória que comportam subdivisões, das quais se encarregam sistemas e estruturas cerebrais diferentes.

Uma forma tradicional de classificar a memória leva em conta a sua duração.

Por essa classificação, haveria uma memória de curto prazo, ou de curta duração, encarregada de armazenar acontecimentos recentes, e uma memória de longo prazo, ou de longa duração, responsável pelo registro de nossas lembranças permanentes.

Hoje, o avanço das pesquisas no campo da psicologia cognitiva e das neurociências permitiu traçar um quadro bem mais complexo, resultando no aparecimento de outras classificações que explicam melhor o funcionamento de nossa memória.

 

5. OS ARQUIVOS INCONSTANTES

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NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO

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OS ARQUIVOS INCONSTANTES

Neste capítulo, veremos os processos pelos quais o cérebro cria os registros duráveis da memória de longa duração e como esse conhecimento pode ser importante nas atividades educacionais.

A MEMÓRIA EXPLÍCITA E A MEMÓRIA IMPLÍCITA,

O ESQUECIMENTO E O RECORDAR

No capítulo anterior estudamos a memória de trabalho, que tem uma característica transitória, e agora nos voltaremos para os processos que permitem registrar de forma mais prolongada as informações no cérebro. Esse tipo de memória é chamado tradicionalmente de memória de longa duração, e o conhecimento do seu funcionamento pode auxiliar na otimização da aprendizagem. É bom deixar claro os conceitos de aprendizagem e memória: o primeiro diz respeito ao processo de aquisição da informação, enquanto o segundo se refere à persistência dessa aprendizagem de uma forma que pode ser evidenciada posteriormente.

Como mencionamos anteriormente, boa parte de nossa aprendizagem e de nossa memória se faz por mecanismos que não envolvem processos conscientes no cérebro. Convém lembrar que a memória processada de forma inconsciente é chamada de memória implícita, enquanto chamamos de memória explícita1 aquela da qual tomamos conhecimento, porque envolve os mecanismos conscientes.

 

6. ALLEGRO MODERATO

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ALLEGRO MODERATO

Neste capítulo, veremos as emoções, observando sua importância biológica e seu processamento pelas estruturas nervosas, bem como suas relações com a cognição e a aprendizagem.

A EMOÇÃO E SUAS RELAÇÕES COM A COGNIÇÃO

E A APRENDIZAGEM

Embora todos saibamos, intuitivamente, o que são as emoções e possamos dar exemplos delas, como alegria, raiva, medo ou tristeza, é comum haver dificuldade em conceituá-las ou explicar para que servem. Do ponto de vista que aqui nos interessa, as emoções são fenômenos que assinalam a presença de algo importante ou significante em um determinado momento na vida de um indivíduo. Elas se manifestam por meio de alterações na sua fisiologia e nos seus processos mentais e mobilizam os recursos cognitivos existentes, como a atenção e a percepção.

Além disso, elas alteram a fisiologia do organismo visando uma aproximação, confronto ou afastamento e, frequentemente, costumam determinar a escolha das ações que se seguirão.

As emoções atuam como um sinalizador interno de que algo importante está ocorrendo, e são, também, um eficiente mecanismo de sinalização intragrupal, já que podemos reconhecer as emoções uns dos outros e, por meio delas, comunicar situações e decisões relevantes aos demais indivíduos ao nosso redor. Não só os seres humanos, mas também os animais são capazes de perceber as respostas emocionais dos seus semelhantes e reagir prontamente. Claro que isso tem um valor de sobrevivência, pois o medo demonstrado por um membro do grupo pode

 

7. A ÁRVORE DO BEM E DO MAL

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A ÁRVORE DO BEM E DO MAL

Neste capítulo, veremos as funções executivas que são responsáveis pela regulação cotidiana do comportamento e que têm importância fundamental nas atividades educacionais.

AS FUNÇÕES EXECUTIVAS E SUA IMPORTÂNCIA

Embora não exista um consenso sobre a conceituação das funções executivas, podemos defini-las como o conjunto de habilidades e capacidades que nos permitem executar as ações necessárias para atingir um objetivo. Nelas se incluem a identificação de metas, o planejamento de comportamentos e a sua execução, além do monitoramento do próprio desempenho, até que o objetivo seja consumado. Elas devem assegurar, além disso, que as normas sociais sejam respeitadas, em um padrão comportamental considerado apropriado para um determinado contexto ou situação.

As funções executivas possibilitam nossa interação com o mundo frente às mais diversas situações que encontramos. Por meio delas organizamos nosso pensamento, levando em conta as experiências e conhecimentos armazenados em nossa memória, assim como nossas expectativas em relação ao futuro, sempre respeitando os valores e propósitos individuais. Dessa forma podemos estabelecer estratégias comportamentais e dirigir nossas ações de uma forma objetiva, mas flexível, que permita, ao final, chegar ao objetivo desejado. Além disso, são as

 

8. DA ARGILA AO CRISTAL LÍQUIDO

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DA ARGILA AO CRISTAL LÍQUIDO

Neste capítulo, veremos como o cérebro está organizado para possibilitar a capacidade de leitura e como sua desorganização pode desencadear a dislexia do desenvolvimento.

OS PROCESSOS NEUROBIOLÓGICOS DA LEITURA

A linguagem escrita surgiu há mais de 5 mil anos na Suméria, um antigo país da

Mesopotâmia e, de forma independente, na China. A escrita suméria era gravada em placas de argila feita com caracteres cuneiformes que eram ideográficos, ou seja, representavam diretamente objetos ou ideias. O aparecimento de um sistema fonográfico, capaz de representar os sons da linguagem por meio dos sinais gráficos, permitiu a simplificação da escrita de uma forma notável, mas só aconteceu bem mais tarde. O alfabeto de origem latina é derivado do alfabeto grego, que por sua vez teve suas raízes no sistema de escrita desenvolvido pelos fenícios há cerca de 3 mil anos.

A linguagem falada, por outro lado, é muito mais antiga, tem centenas de milhares de anos, e seu aparecimento remonta a hominídeos que antecederam o aparecimento de nossa espécie. A linguagem verbal é uma das características da espécie humana, e sua evolução, tão remota, deixou marcas em nosso cérebro, onde podemos encontrar circuitos especializados no processamento da linguagem.

 

9. A FILEIRA DOS NÚMEROS

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A FILEIRA DOS NÚMEROS

Neste capítulo, veremos as bases da numeracia, ou seja, a capacidade que tem o cérebro de trabalhar com números.

A NUMERACIA OU A CAPACIDADE DO CÉREBRO

EM LIDAR COM NÚMEROS

De forma semelhante ao que ocorre com a linguagem, o cérebro humano tem características programadas geneticamente que o habilitam a lidar com números.

Para isso, ele é capaz de processar, muito precocemente, o conceito de quantidade.

Crianças com poucos meses conseguem discriminar quantidades e até mesmo realizar cálculos simples, ao contrário do que se pensava até recentemente.

Essa capacidade encontrada nos bebês humanos foi evidenciada em experiências nas quais eles observam bonecas que podem ser ocultas por um anteparo. Os bebês veem uma, duas ou três bonecas serem escondidas atrás do anteparo, que depois é retirado. Nesse momento, se o número de bonecas corresponde ao que eles viram sendo escondidas, o interesse é relativamente pequeno. Contudo, se houver uma boneca a mais ou a menos, observa-se que eles fitam demoradamente a cena, intrigados com o resultado inesperado.

 

10. LERDOS E ESPERTOS, ESTÚPIDOS E BRILHANTES

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LERDOS E ESPERTOS,

ESTÚPIDOS E BRILHANTES

Neste capítulo, veremos o fenômeno da inteligência e suas relações com o funcionamento do cérebro.

A INTELIGÊNCIA E O FUNCIONAMENTO CEREBRAL

O conceito de inteligência é amplo e tem variado ao longo do tempo e nos diversos ambientes culturais, mas pode ser considerado como a habilidade de se adaptar ao ambiente e aprender com a experiência. Observa-se que os indivíduos variam amplamente nesses atributos, podendo ser classificados desde lerdos a espertos, de estúpidos a brilhantes.

Recentemente, pesquisadores do assunto propuseram uma definição abrangente: “A inteligência é uma capacidade muito geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e por meio da experiência. Não é apenas uma habilidade acadêmica, uma aprendizagem livresca ou esperteza ao responder testes. Ela reflete uma capacidade mais ampla e profunda para a compreensão do ambiente: apreender o contexto, dar sentido às coisas, antecipar o melhor curso de ação. A inteligência, definida dessa forma, pode ser medida, e os testes de inteligência o fazem de forma adequada”.

 

11. A MÁQUINA IMPERFEITA

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A MÁQUINA IMPERFEITA

Neste capítulo, veremos as dificuldades para a aprendizagem, com ênfase em algumas síndromes decorrentes do mau funcionamento do sistema nervoso, e veremos como o educador pode atuar na abordagem desses problemas.

AS DIFICULDADES PARA A APRENDIZAGEM E SUA ABORDAGEM

Em sua prática, o educador se depara com muitos desafios, mas talvez a tarefa mais incômoda seja lidar com as dificuldades da aprendizagem. O estudante que não presta atenção na aula, ou que está sempre perturbando a turma com brincadeiras inconvenientes ou provocações. Aquele que não para quieto, ou o que tem facilidade em determinada disciplina, mas fracassa em outras. O aluno que não tem problemas de comunicação, mas escreve garranchos ou ainda aquele que é campeão de futebol, mas só tira notas baixas. São todos motivos de preocupação para o professor.

Além de casos como esses, também estão na escola crianças e adolescentes com limitações relacionadas a deficiências sensoriais, como a visual e a auditiva, ou com desarranjos ou diferenças no comportamento social, cognitivo ou motor, cuja evolução no processo de aprendizagem é bastante distinto dos demais estudantes.

 

12. O DIÁLOGO DESEJÁVEL

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O DIÁLOGO DESEJÁVEL

Neste capítulo, veremos as relações entre as neurociências e a educação, buscando esclarecer as limitações e potencialidades das contribuições recíprocas entre essas áreas do conhecimento.

AS RELAÇÕES ENTRE NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO

A educação tem por finalidade o desenvolvimento de novos conhecimentos ou comportamentos, sendo mediada por um processo que envolve a aprendizagem.

Comumente, diz-se que alguém aprende quando adquire competência para resolver problemas e realizar tarefas, utilizando-se de atitudes, habilidades e conhecimentos que foram adquiridos ao longo de um processo de ensino-aprendizagem.

Ou seja, aprendemos quando somos capazes de exibir, de expressar novos comportamentos que nos permitem transformar nossa prática e o mundo em que vivemos, realizando-nos como pessoas vivendo em sociedade.

E de onde vêm nossos comportamentos? Hoje sabemos que eles são produtos da atividade do nosso cérebro, ou melhor, de nosso sistema nervoso. Nossas sensações e percepções, ações motoras, emoções, pensamentos, ideias e decisões, ou seja, nossas funções mentais estão associadas ao cérebro em funcionamento.

 

LEITURAS SUGERIDAS

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LEITURAS SUGERIDAS

LIVROS

Belsky, J. (2010) Desenvolvimento humano: experienciando o ciclo da vida. Porto

Alegre: Artmed.

Blakemore, S. J. & Frith, U. (2005) The learning brain: lessons for education. Oxford:

Blackwell Publishing.

Cocking, R. R., Bransford, J., Brown, A. (2007) Como as pessoas aprendem: cérebro, mente, experiência e escola. São Paulo: Editora Senac

Cosenza, R.M. (2005) Fundamentos de neuroanatomia (3ª Ed.). Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan.

Gardner, H. (2000) Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva.

Gazzaniga, M. S., Heatherton, T. F. (2005) Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed.

Gazzaniga, M. S., Ivry, R. B., Mangun, G. R. (2006) Neurociência cognitiva: a biologia da mente (2ª Ed.). Porto Alegre: Artmed.

Lent, R. (2010) Cem bilhões de neurônios?: Conceitos fundamentais de neurociência.

(2ª Ed.). São Paulo: Ed. Atheneu.

Meltzer, L. (Ed.) (2007) Executive Function in Education: From Theory to Practice. New

 

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