Desafios psicossociais da família contemporânea : pesquisas e reflexões

Autor(es): Wagner, Adriana
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13 capítulos

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Introdução

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Introdução

Os desafios da família contemporânea

Revisitando conceitos

Adriana Wagner

Cristina Tronco

Ananda Borgert Armani

A proposta de refletir sobre os desafios psicossociais da família contemporânea frente à diversidade gera a necessidade de fazermos uma releitura dos conceitos que balizam os estudos e pesquisas sobre as mais variadas temáticas que dizem respeito à configuração e à estrutura familiar. Frente a isso, nosso primeiro desafio é saber: de que família estamos falando, afinal?

É difícil traçar um perfil único da família brasileira, tanto no que se refere a sua configuração quanto a sua estrutura (Cerveny, 2002; Wagner e Féres­‑Carneiro, 1998). Contudo, nas últimas duas décadas foi possível observar algumas tendências que marcaram o movimento de redefinição e de funcionamento dos núcleos familiares (Grzybowski, 2007; Wagner, Halpern e Bornholdt, 1999). Estudos, já no início dos anos noventa, apontaram uma tendência de diminuição do número de pessoas que compunham a família

(Goldani, 1994), um aumento do número de divórcios e recasamentos (IBGE,

 

2. Sobre as motivações para a conjugalidade

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Sobre as motivações para a conjugalidade

João Alves da Silva Neto

Marlene Neves Strey

Andrea Seixas Magalhães

O número de formalizações de uniões consensuais vem aumentando desde 2003 e tem mantido essa tendência como mostram os dados do IBGE

(2007). Porém, em contrapartida, também cresceram as taxas de divórcios de

2004 a 2007, assim como as de separações de 2004 a 2005, sendo que estas

últimas têm mantido índices estáveis de 2005 a 2007 (IBGE, 2007). Ainda assim, ser “pedida(o)” em casamento ou “pedir a mão” de alguém ainda hoje

é o sonho de muitas pessoas.

O casamento não é uma instituição falida como se acreditou, mas sim uma instituição que tem sofrido abalos nos modelos predominantemente praticados, construídos a partir da ideologia do amor romântico e de outras ideias que não levam em consideração as demandas relacionais de um mundo em constante transformação. Repetimos padrões relacionais reconhecidos e valorizados socialmente, muitas vezes perpetuados através da educação. Contudo, uma análise sobre a educação para a conjugalidade aponta um paradoxo. Os fatores vistos como desejáveis na relação conjugal podem ser os mesmos que a dificultam.

 

3. A qualidade conjugal como fator de proteção do ambiente familiar

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A qualidade conjugal como fator de proteção do ambiente familiar

Clarisse Pereira Mosmann

Eliana Piccoli Zordan

Adriana Wagner

A qualidade dos relacionamentos afetivos é um dos temas mais discutidos em diversos contextos, desde revistas de grande circulação a programas de televisão; nas conversas entre amigos, colegas de trabalho, e tem sido objeto de pesquisas científicas. Podemos dizer que a conjugalidade está na moda. Mas por que esse assunto provoca tantas polêmicas? Por que, em última análise, todos desejam e buscam um relacionamento duradouro e feliz? O que, então,

é necessário para viver uma união amorosa satisfatória? Essas são questões difíceis de serem respondidas; entretanto, as pesquisas a respeito do tema têm comprovado que o casal ao vivenciar um relacionamento satisfatório apresenta maiores níveis de saúde física e emocional, mais estabilidade econômica e seus filhos também gozam de melhores níveis de saúde mental. Por outro lado, já foram comprovados os efeitos deletérios para os filhos das interações conjugais conflituosas intensas, frequentes e preponderantes na vida do casal. Quer dizer, a qualidade do relacionamento conjugal é um fator de proteção do ambiente familiar e da saúde de seus membros. Frente a tais evidências, torna­‑se ainda mais importante descobrir e entender o segredo do “sucesso” das relações conjugais.

 

4. Reflexões sobre a violência conjugal: diferentes contextos, múltiplas expressões

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Reflexões sobre a violência conjugal

Diferentes contextos, múltiplas expressões

Denise Falcke

Terezinha Féres­‑Carneiro

Qual foi o primeiro casal com o qual você teve contato na vida? A resposta da maioria das pessoas provavelmente seja: meus pais. Isso mesmo, nossos pais não são somente modelos de pai e de mãe, mas também nos ensinaram, ainda que não intencionalmente, como ser marido e mulher. Desde muito cedo, os filhos observam a relação dos pais e o tipo de vínculo amoroso que cultivam. Este é um fenômeno que ocorre independentemente da configuração familiar, pois os vínculos estabelecidos entre os adultos, por exemplo, pai e madrasta, mãe e padrasto, dois pais ou duas mães, servem como modelos para as futuras relações afetivas dos filhos.

Mesmo que, muitas vezes, os filhos percebam os progenitores essencial­ mente como figuras parentais, eles também constituem um outro subsistema­na família, que diz respeito à relação de ambos como casal, ou seja, o subsis­tema conjugal. No capítulo introdutório deste livro, estão descritos os subsis­temas conjugal e parental, ambos compostos pelo casal, sendo o subsistema parental derivado do conjugal, após o nascimento do primeiro filho e pela assunção dos papéis de pai e mãe. Os filhos, evidentemente, mantêm relação direta com o subsistema parental e não fazem parte do subsistema conjugal; mas, através da convivência, são expectadores e testemunhas de muitas situações vivenciadas pelos pais como marido e mulher. Nesse sentido, as pessoas levam para suas relações futuras tanto um modelo de interação aprendido quanto expectativas baseadas no que observaram na relação de casal de seus pais.

 

5. Educar para a autonomia: desafios e perspectivas

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Educar para a autonomia

Desafios e perspectivas

Claudete Bonatto Reichert

Um dos grandes desafios da contemporaneidade, no que tange à educação dos filhos, é a necessidade da família adaptar­‑se às novas exigências que invadem a intimidade do cotidiano familiar. A sensação de “certo” ou “errado” que balizava atitudes e estratégias utilizadas pelos pais há décadas atrás já não os acompanha na atualidade. Dar autonomia aos filhos, oferecendo­

‑lhes um ambiente de independência familiar e guiando­‑os ao exercício da responsabilidade, tem sido uma tarefa complexa num contexto de incertezas cada vez mais adverso e violento.

Em consequência, temos nos deparado com pais perdidos e angustiados ante a diversidade de tais demandas. A avalanche de informações de

“como deve ser” tende a exacerbar as expectativas desses pais em conseguir, entre tantas coisas, assegurar a sobrevivência dos filhos e garantir seu sadio crescimento e sua socialização. Paralelamente a tais tarefas, os progenitores devem promover a comunicação e o diálogo criando um clima de afeto e apoio, além de estimular seus filhos a tomar decisões. Frente a isso, perguntamo­‑nos: como educar nossos filhos para a autonomia?

 

6. A vivência da paternidade em tempos de diversidade: uma visão transcultural

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A vivência da paternidade em tempos de diversidade

Uma visão transcultural

Ana Cristina Pontello Staudt

Adriana Wagner

Quem nunca ouviu falar em expressões como: “Mãe é mãe!”; “mãe é uma só!”; “quem pariu Mateus que o embale!”. Por mais corriqueiras e aparentemente sem maiores repercussões, essas expressões carregam consigo as crenças de um imaginário social construído historicamente e perpetuado nas relações humanas, ainda que muitas pessoas não se deem conta disso. Considerando que a família é parte interdependente da sociedade na qual está inserida, suas interações se veem atravessadas por esses ditames. Frente a tais ideias, passamos a questionar, afinal: pai é pai? Pai é também um só? Será que aquele que não pariu Mateus, mas tornou, junto com a mãe, sua existência possível, também não deveria embalá­‑lo?

Neste capítulo nos propomos a discutir o pai na contemporaneidade, seu lugar e seu papel nesta rede de relações, considerando os diversos aspectos que compõem o contexto sócio­‑histórico­‑cultural nos quais esses papéis são vividos e suas transformações no mundo ocidental. Foram muito importantes as diversas mudanças de ordem sociopolítica e de ordem econômica para a transformação das relações no âmbito familiar. Dentre elas, destacamos as desigualdades sociais, o crescimento da participação da mulher na esfera pública, a redefinição das fronteiras nas relações de gênero e o aumento da expectativa de vida, entre tantos outros aspectos.

 

7. Ser pai e ser mãe: como compartilhar a tarefa educativa após o divórcio?

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Ser pai e ser mãe

Como compartilhar a tarefa educativa após o divórcio?

Luciana Suárez Grzybowski

A complexidade inerente à tarefa de educar os filhos não é novidade. Tal percepção tem levado a inúmeras discussões sobre o papel do pai e da mãe na educação dos filhos, assim como tornou­‑se parte do cotidiano o crescente volume de publicações que investem em ajudar os progenitores a educar sua prole. Muitas são as variáveis e os fatores implicados no processo educativo, alguns deles facilitam e outros dificultam a tarefa de educar uma criança. Como elemento potencializador dessa complexidade, encontra­‑se, por exemplo, o desempenho da parentalidade em casais separados. Ainda que atualmente o vínculo conjugal esteja longe de ser indissolúvel, o vínculo parental é para sempre. Pode­‑se dizer, então, que por mais que existam ex­

‑maridos e ex­‑esposas, jamais existirá ex­‑pai ou ex­‑mãe.

Nesses casos, a parentalidade, que implica uma série de responsabilidades essenciais para com os filhos, precisa ser remodelada e adequada a esse contexto de separação conjugal. Frente a isso, muitas dúvidas surgem: como garantir a satisfação das necessidades econômicas e materiais; oferecer orientação e instrução; exercer autoridade; promover trocas afetivas e partilhar experiências do dia a dia quando não se mora com o filho, por exemplo?

 

8. Mamãe, eu acho que estou... ligeiramente grávida! Uma reflexão sobre a gravidez na adolescência

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adriana wagner & Cols.

Ser adolescente no mundo atual... como é isso?

Ser adolescente no mundo atual parece ser fácil – em muitos casos, porém, não é assim que se apresenta. Na adolescência encontramos a preparação para a vida adulta como uma característica marcante. Assim, existe a possibilidade de experimentação sexual com o consentimento dos pais e de diálogo aberto com eles; de “curtir a vida” e não ter responsabilidade; há, também, um mundo de profissões para ser descoberto, uma diversidade de formas afetivas e sexuais de se relacionar com uma diversidade de pessoas; milhares de lugares para viajar e estudar e a possibilidade, ainda, de fazer muitas dessas coisas ao mesmo tempo e de várias maneiras!

De fato, muitas expectativas são geradas, pois adolescer é crescer, desenvolver­‑se. Portanto, no aspecto profissional, espera­‑se a finalização do

Ensino Médio e a escolha de uma profissão; no aspecto emocional, a experimentação sexual e afetiva, o fortalecimento das relações de amizades e o afastamento dos pais. Por fim, no aspecto físico, ocorre o amadurecimento gonadal (Santos, 2005; Papalia, Olds e Feldman, 2006).

 

9. As relações familiares e os problemas emocionais e de comportamento em adolescentes

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As relações familiares e os problemas emocionais e de comportamento em adolescentes1

Maycoln L. M. Teodoro

Bruna Moraes Cardoso

Tiago Ferraz Porto Pereira

Diversos estudos apontam que a qualidade das relações familiares é benéfica para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. O relacionamento entre pais e filhos, por exemplo, serve de modelo para que crianças e adolescentes construam vínculos saudáveis com outras pessoas (Anant e Raguram,

2005; Morris, Silk, Steinberg, Myers e Robinson, 2007). Seguindo os pressupostos da teoria da aprendizagem social, pode­‑se prever que crescer em uma família conflituosa faz com que os adolescentes tenham dificuldades de compreender como lidar com as situações de conflito mais tarde (Bandura,

1986). Da mesma forma, ter um relacionamento saudável com pelo menos um dos pais está associado a índices menores de conflito em outras relações, com irmãos, colegas e professores (Ingoldsby, Shaw e Garcia, 2001).

Relações familiares violentas abrangem tanto a violência física quanto a verbal, manifestada de forma aberta ou encoberta. Não importando a forma de violência, as relações familiares violentas desempenham um papel crucial no desenvolvimento de problemas emocionais e de comportamento em adolescentes. Nesse sentido, o estudo de Forman e Davies (2003) indica que a instabilidade familiar aumenta o risco do adolescente desenvolver problemas internalizantes e externalizantes, além de poder afetar também sua saúde

 

10. A violência como instrumento educativo: uma história sem fim?

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A violência como instrumento educativo

Uma história sem fim?

Denise Falcke

Larissa Wolff da Rosa

A agressão física, até pouco tempo atrás, era uma das formas mais utilizadas pelos pais para disciplinar seus filhos. Na fala dos pais, era comum ouvirmos dizer que era uma maneira de demonstrar sua autoridade perante os filhos. Será que o uso da força física demonstra autoridade? Ou se pode pensar em autoritarismo?

A autoridade refere­‑se a um lugar de destaque ocupado por alguém que detém experiência ou conhecimento e que assume as responsabilidades advindas do papel que desempenha. Na família, os pais são investidos de autoridade para que possam colocar limites nos filhos, levando­‑os a discriminar e reconhecer as normas sociais. O autoritarismo, diferentemente da autoridade, é um sistema que tem caráter de dominação, de imposição. Na educação infantil, quando prepondera um estilo educativo autoritário, a força física funciona como um instrumento de disciplina e afirmação do poder; ou seja, quem tem mais força, é quem manda.

 

11. O adolescente em conflito com a lei: reflexões sobre o contexto e a rede de apoio social

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O adolescente em conflito com a lei

Reflexões sobre o contexto e a rede de apoio social

Bianca Branco

Karina Demarchi

Sabe­‑se que a adolescência é uma fase caracterizada pela transição em vários domínios do desenvolvimento biológico, cognitivo ou social. Ela é marcada por conflitos internos e lutos que exigem do adolescente a elaboração e a ressignificação de sua identidade, sua imagem corporal, sua relação com a família e com a sociedade.

Além da divergência interna, própria deste período, estudos têm atentado para os determinantes situacionais da conduta desses jovens (Diretoria

Socioeducativa da Fundação Estadual do Bem­‑Estar do Menor/RS, 2002). Já no fim dos anos 1990, evidenciava­‑se a preocupação com o fato de crianças e jovens serem entendidos como atores sociais sem autonomia, que passam a agir como excluídos ou vítimas da instabilidade conjugal de seus pais.

Sabe­‑se que, na adolescência, as relações deixam de ser centradas na família e deslocam­‑se para as relações com os pares – colegas, amigos ou parceiros românticos que os apoiam. Esses jovens incrementam o desenvolvimento de suas habilidades sociais através dessas interações, pois passam a compartilhar experiências, emoções e conhecimentos. Uma adolescência saudável tem sido vinculada ao equilíbrio entre o apoio da família, das associações formais

 

12. A relação família‑escola:uma parceria possível?

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A relação família­‑escola

Uma parceria possível?

Luiza Maria de Oliveira Braga Silveira

A escola, desde seu surgimento como uma instituição social de educação formal, teve suas raízes entrelaçadas à família. A concepção de escola e de educação existia desde as civilizações da antiguidade oriental e grega, como a Paideia, mas foi a partir da Idade Moderna que o ensino passou a ser formalizado e institucionalizado.

Com a criação dos centros urbanos, as mulheres iniciaram sua inserção no mundo do trabalho, dividindo com a escola o cuidado e a educação dos filhos. Desde então, a escola passou a contribuir com a família na formação e na educação de jovens e crianças. Mas qual é o papel da família e qual o papel da escola nesse processo nos dias de hoje?

Este é um tema que têm gerado grande polêmica frente à necessidade de definir as tarefas educativas da família e as da escola. Nessa interlocução, observa­‑se que tanto a família quanto a escola buscam apoiar­‑se mutuamente, porém, acabam se desencontrando e produzindo, muitas vezes, um jogo de culpados e inocentes. A fim de entender o que acontece é necessário compreender qual a tarefa e como se dá o processo educativo na família e na escola, bem como a relação construída entre tais sistemas.

 

13. O processo educativo e a empresa familiar: do herdeiro ao sucessor

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O processo educativo e a empresa familiar

Do herdeiro ao sucessor

José Luis Gobbi Lanuza Suarez de Puga

Adriana Wagner

Existem diversos provérbios que difundem ideias de como se dá a transmissão familiar: “pai rico, filho nobre e neto pobre” “o fruto nunca cai longe do pé”; “quem sai aos seus não degenera” são alguns dos ditos populares que circulam em nosso contexto, retratando a importância da família na construção da identidade de seus membros. No caso das famílias empresárias, tais processos de transmissão transgeracional se potencializam quando chega o momento de sucessão da liderança na empresa. Nesse sentido, o processo sucessório condensa muitos dos conflitos presentes nessas organizações, colocando em evidência uma das principais questões da família empresária: criamos um sucessor? Educamos um dos membros da família para liderar a continuidade do negócio? É chegada a hora inevitável de avaliar e testar resultados, o que gera na família temores e expectativas frente ao confronto de seus êxitos e fracassos na educação de seus filhos.

 

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