Ludodiagnóstico: investigação clínica através do brinquedo

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1. O brincar e a psicanálise: subsídios à técnica

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O brincar e a psicanálise

Subsídios à técnica

Ryad Simon kayoko yamamoto

N

os primórdios da psicanálise de crianças, em 1923, Melanie Klein atendia uma menina de 7 anos, inibida e com mau aproveitamento escolar. A criança não gostava da escola, faltava às aulas e começava a afastar­

‑se da mãe, apesar de ter anteriormente um bom relacionamento com ela. A criança não desenhava, falava muito pouco. O progresso do atendimento era quase nulo. Klein sentiu que aquela forma de atendimento não levaria muito longe o trabalho. Numa sessão em que a criança ficou silenciosa e retraída, a angústia de Melanie Klein deve tê­‑la mobilizado a criar algum recurso. Avisou que ia sair da sala e voltaria num instante. Como o atendimento era feito na residência, esta pegou alguns brinquedos: algumas bonequinhas, carrinhos, cubos e um trenzinho.

Colocou­‑os numa caixa e trouxe para a pacientezinha inibida. A criança interessou­‑se pelos objetos e começou a brincar.

Por seu modo de brincar, Klein inferiu que os dois bonecos que a menina utilizou para realizar uma brincadeira poderiam representar a própria paciente e um menininho da escola que havia sido mencionado numa sessão anterior. Parecia haver algum segredo na conduta dos dois bonecos, e que os outros bonecos eram vistos como intrusos e afastados. As atividades dos dois bonecos acabavam em catástrofes, como cair e serem atropelados. Esse brincar era repetido, e, à

 

2. Atitude lúdica e expansão da consciência

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Atitude lúdica e expansão de consciência

Walter Trinca

A

atitude lúdica diz respeito a uma disposição mental considerada livre por excelência, tendo por paradigma o brincar da criança que frui em liberdade o prazer de se entregar a seus objetos de relacionamento, entretenimento e divertimento. Esta atitude tem sido associada à atitude psicanalítica, especialmente depois que Winnicott (1975) ressaltou que a psicanálise foi desenvolvida como uma forma altamente especializada do brincar. Antes dele, Freud havia formulado o princípio da associação livre, em correspondência com o conceito de atenção flutuante, de que Ferenczi (1966) fez uso para introduzir o que chamou de elasticidade da técnica psicanalítica. Essas são formas de atitude lúdica, assim como o são, sem dúvida, a atitude analítica sem memórias, sem desejos e sem necessidades de compreensões, proposta por Bion (1973), e aquela que coloca o analista nas condições de ressonância tonal aos afetos, considerada por Fedida (1986).

O ser interior

 

3. As bases neurofisiológicas do brincar

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As bases neurofisiológicas do brincar

Joao Augusto Figueiró

O

Dicionário Houaiss da Língua Portu­ guesa (2001) conceitua brincar como um verbo transitivo indireto e intransitivo e traz 13 definições para o termo, dentre os quais ressalto “distrair­‑se com jogos infantis, representando papéis fictícios, entreter­

‑se com um objeto ou uma atividade qualquer; agitar­‑se, menear, tamborilar, mexer em algo distraidamente, por compulsão ou para passar o tempo, não falar a sério; gracejar, fazer zombaria; debochar, não demonstrar interesse; não dar importância; não levar (algo) a sério, agir de modo exibido ou intrometido, agir com leviandade ou imprudência, tirar gozo, distração ou proveito; desfrutar”. Traz também algumas derivações de sentido figurado como “fazer algo sem notar, sem fazer esforço, lidar de maneira inconsequente com coisas sérias ou perigosas, fazer algo com facilidade, sem esforço, ser ágil e esperto na tomada de providências, na resolução de questões, em executar um trabalho (como em ‘fazer algo brincando’)” e apresenta como sinônimos “divertir­‑se, distrair­‑se, entreter­‑se, folgar, gracejar, zombar”. Pode­‑se observar nestas definições selecionadas o caráter de frivolidade, de não seriedade e mesmo pejorativo atribuído à atividade.

 

4. Brincar, significação e representação

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Brincar, significação e representação

Rosa Maria Lopes Affonso

Brincar

Por que, na perspectiva deste livro, é importante considerar significação e representação na perspectiva do brincar no contexto psicoterapêutico da situação ludodiagnóstica?

Conversar com a criança; dispor de materiais para conversar; compreender as dificuldades de uma criança a partir da sua expressão por meio de brinquedos são exemplos de atitudes que pressupõem um diálogo entre um adulto – no caso clínico, o terapeuta – e uma criança, quando ela, mediada pelos brinquedos, tenta dizer quais são suas preocupações, suas dificuldades, se concorda ou não em estar ali naquele contexto ludodiagnóstico. Enfim, trata­‑se de um “diálogo” em que pressupomos um tipo de linguagem.

Para o adulto que interage com a criança, é uma situação difícil, pois ele deve entender a linguagem pré­‑verbal, além da verbal, no contexto do jogo, e neste sentido, terá que contar também com um padrão de signos sobre o brinquedo que é incluído neste diálogo. A criança que recebe essa consigna pode contestar ou concordar respondendo verbalmente ou através dos materiais lúdicos. O psicoterapeuta vai interpretando as ações da criança através desse material lúdico, e pode­‑se dizer que através desse interjogo é que se entende o diálogo pré­‑verbal da criança, e também podemos verificar que algumas significações podem se impor a ele,

 

5. Breve histórico da técnica

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Breve histórico da técnica

Rosa Maria Lopes Affonso

A

técnica ludodiagnóstica tem como fundamentos teóricos os trabalhos de vários estudiosos da psicanálise, como Melanie

Klein, Ana Freud, Maud Mannoni, Arminda Aberastury, Winnicott, enfim, estudiosos que nas investigações clínicas do funcionamento psíquico da criança colaboraram para o trabalho psicanalítico com crianças a partir dos trabalhos de Sigmund Freud com adultos. Esse instrumento de investigação clínica é quase sempre incluído nas técnicas expressivas como uma ferramenta por meio da qual o brincar, tal como a associação livre, os sonhos e a atuação (acting out), permite ao clínico o estudo e o diagnóstico do funcionamento mental da criança.

Freud descobriu a psicologia da infância a partir de sua psicanálise com adultos.

Ao analisar adultos, ele descobriu que as lembranças deles quase sempre estavam associadas a conflitos vivenciados na infância e, a partir dessa constatação, elaborou sua teoria sobre a sexualidade infantil, publicada em 1905. O brilhantismo de Freud estava em elaborar um modelo de funcionamento mental na infância sem ao menos ter atendido uma criança.

 

6. O ludodiagnóstico e as técnicas projetivas expressivas

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O ludodiagnóstico e as técnicas projetivas expressivas

Rosa Maria Lopes Affonso

O

ludodiagnóstico é uma técnica projetiva, geralmente utilizada em situações de psicodiagnóstico infantil. Comumente essa técnica é utilizada pelo psicólogo no primeiro encontro com a criança, após as entrevistas com os pais, no processo psicodiagnóstico, como uma das etapas de um dos conjuntos de técnicas e testes utilizados para o diagnóstico clínico.

Na literatura, a observação lúdica ou ludodiagnóstico tem como fundamentação teórica os estudos de Freud (1900; 1905;

1909; 1910; 1920; 1923) e Melanie Klein

(1921; 1923; 1928; 1930; 1932; 1955), sendo esta quem sistematizou a técnica e o valor do jogo lúdico como instrumento de investigação clínica e terapêutica (Klein,

1929; 1932; 1955). Entretanto, há vários autores que, a partir daí, sistematizaram a hora lúdica. Aberastury (1962), Efron e colaboradores (1976), Greenspan e Greenspan

(1993), Soifer (1992) são slguns exemplos.

Alguns profissionais utilizam apenas este instrumento como avaliação psicológica da criança, como é o caso de alguns psicanalistas. Outros o utilizam como um rapport com a criança, para prepará­‑la para o processo de avaliação psicológica, ou seja, antes da aplicação de alguns testes psicológicos. Outros ainda a utilizam dentro de um conjunto de procedimentos de avaliação que fará parte do conjunto de

 

7. O procedimento ludodiagnóstico

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O procedimento ludodiagnóstico

Rosa Maria Lopes Affonso

A sala de atendimento

A sala de atendimento infantil onde se realiza o ludodiagnóstico não deve ser a mesma dos adultos ou adolescentes, pois deve ser um local preparado para a criança se movimentar, utilizar os materiais, pintar a mesa ou a parede, jogar bola, molhar com água, etc. Dou estes exemplos mais drásticos porque muitos profissionais que atendem crianças fazem restrições a suas maneiras de brincar, pois o espaço em que ocorre a sessão não está convenientemente preparado para a ação prática ou representativa de uma criança. A sala também não pode ser muito pequena, para não restringir a movimentação infantil possível. O ideal é que tenha pelo menos 9 m2.

O chão e as paredes devem ser laváveis para as possíveis eventualidades e para que os descontroles das ações lúdicas não sejam vividos com angústias, tanto pelo terapeuta como pela criança. Deve ser sempre considerada a possibilidade de reparação, diante de um descontrole das ações da criança, daí a preocupação tanto na escolha dos materiais como na preparação da sala. Deve­‑se ter o cuidado de montar a sala com materiais laváveis e que não coloquem a criança em risco.

 

8. O brinquedo, sua evolução e seus possíveis significados

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O brinquedo, sua evolução e seus possíveis significados

Rosa Maria Lopes Affonso

O

significado do brinquedo pode ser um tema polêmico, na medida em que nenhum psicoterapeuta ou profissional da saúde considera os significados dos brinquedos como algo estático e imutável. Além disso, o estudo do significado do brinquedo envolveria necessariamente estudar a sua evolução no contexto das diversas culturas, daí a grande polêmica quando ele se direciona a dar significados específicos a determinados brinquedos.

Uma pesquisa sobre a significação dos jogos pode também ser feita segundo um referencial evolutivo específico, como propõe

Aberastury (1992), fundamentada na teoria psicanalítica, a partir de Freud e Klein e utilizado por inúmeros educadores e clínicos.

Sobre a significação das fezes e da urina

Aberastury (1992, p. 40) comenta:

Entram alimentos em sua boca, pas­sam através do corpo e saem transformados; os sólidos, suscetíveis de originar capacidade criadora. A criança ama e teme as substâncias que saem de seu corpo. Uma vez que elas estão condenadas a desaparecer, devido às proibições do adulto, a criança busca na água, terra e areia os substitutos permitidos das fezes e da urina. Desse modo, água, terra e areia passam do estado de puras substâncias para adquirir aspectos selvagens, mangueiras de apagar

 

9. O sintoma no diagnóstico infantil

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O sintoma no diagnóstico infantil

Rosa Maria Lopes Affonso

O

termo “sintoma” diz respeito a um fenômeno que revela uma perturbação funcional ou algum tipo de lesão; qualquer mudança provocada no organismo por uma doença e que, descrita pelo paciente, auxilia, em grau maior ou menor, a estabelecer um diagnóstico; também diz respeito à aparência ou semelhança com algo, entre outras definições.

Na ciência psicológica, o estudo dos sintomas está mais relacionado a um referencial psicopatológico, comumente oriundo da medicina. No âmbito dos transtornos mentais, essa definição ganha maior complexidade. Segundo Kaplan e Sadock

(1999), os sintomas representam variações de diferentes graus de um continuum entre saúde mental e psicopatologia. Note­‑se que teríamos que considerar as variações entre o que é normal e o que é patológico e, consequentemente, os julgamentos circunstanciais determinados pela cultura, pela sociedade, pelos costumes, por uma família ou por um indivíduo. Portanto, dependendo do momento, pode­‑se diferir na determinação dos limites da variabilidade da saúde e da doença, fazendo com que, dependendo do ambiente, um comportamento pareça sintomático ou não.

 

10. A análise do procedimento ludodiagnóstico segundo o referencial teórico psicanalítico

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A análise do procedimento ludodiagnóstico segundo o referencial teórico psicanalítico

Rosa Maria Lopes Affonso

A

análise do ludodiagnóstico vai depender da abordagem teórica do examinador ou dos objetivos para os quais foi utilizada.

Caso tenha sido utilizada como rapport, a análise vai ser voltada para o estabelecimento do vínculo. Caso sua utilização seja para avaliação psicológica ou para o estabelecimento e escolha de testes, a observação será dirigida para a análise do desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo ou social.

Por exemplo, para verificar se o problema é motor é necessário observar como a criança utiliza os materiais, se é destra, se os materiais caem, se os movimentos são irruptivos, hipotônicos, hipercinéticos, etc. Outros profissionais estabelecem, inclusive, análises de categorias de comportamento apoiados nas várias teorias de desenvolvimento, como por exemplo, Greenspan e Greenspan (1993).

Kornblit (1976) dá ênfase à observação da sequência da interação lúdica e, entre outros, sugere a identificação do momento inicial, do de máxima expressão lúdica, bem como do final da hora lúdica, considerando a interação em subsistemas, nos quais podem variar a quantidade de material utilizado e o tipo.

 

11. Casos clínicos

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Casos clínicos

Rosa Maria Lopes Affonso

A seguir, relatarei alguns casos clínicos, como ilustração do uso da técnica ludodiagnóstica.

Caso Berenice

Identificação

Trata­‑se de uma criança de 7 anos e 2 meses, do sexo feminino, a quem chamarei de

Berenice. Ela frequentava o primeiro ano do ensino fundamental e o nível socioeconômico familiar era classe baixa.

Queixa

A mãe procurou a clínica por solicitação da escola, pois a menina apresentava dificuldades de aprendizagem e comportamento agitado no ambiente escolar. Além disso, a mãe relatou que Berenice não obedecia às suas ordens, corria o tempo todo, era malcriada, respondona e só falava gritando, comportando­‑se de maneira oposta à da irmã. Berenice tem uma irmã gêmea a quem daremos o nome de Bárbara.

Síntese da anamnese

A mãe não se lembrava de quando esse comportamento havia começado, mas afirmava

que até uns 3 anos de idade Berenice era um amor, calma e apresentava­‑se como uma criança normal.

Atualmente, quando contrariada, colocava os dedos na boca. A mãe relatou que quando a criança apresentava esse comportamento não conseguia ter paciência, começava a gritar com ela e às vezes batia nela. Aos 5 anos de idade, a mãe levou­‑a a uma psicóloga, a pedido da escola, e esta orientou­‑a a conversar mais com Berenice, mas sem deixar de colocar limites. Na época, a mãe admitiu que não sabia dizer “não” para suas filhas.

 

12. Instrumentos para o processo diagnóstico e/ou intervenção

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Instrumentos para o processo diagnóstico e/ou intervenção

Rosa Maria Lopes Affonso

A

s avaliações psicológicas dos sintomas envolvem um processo que pode ter um ou vários objetivos, portanto devemos definir em quem e por que serão realizadas. Além disso, devemos estabelecer quais instrumentos serão utilizados para a investigação.

Ocampo (1976), Arzeno (1995) e

Cunha e colaboradores (1986, 1993, 2000) demonstraram a importância do atendimento como um processo de investigação psicológica que deve conter um conjunto de várias avaliações psicológicas, que seguem os passos e etapas a seguir.

1. Primeiro é feita a abordagem inicial dos

sintomas, a análise de seu aparecimento e do contexto individual ou interacional em que eles ocorrem, através da utilização de entrevistas semiestruturadas, por meio das quais são colhidas informações sobre a história pessoal ou familiar do sujeito, associadas à pesquisa do ambiente atual.

2. No caso de crianças, as entrevistas iniciais são realizadas com os pais, podendo envolver uma análise dos sintomas da estrutura familiar da qual a criança faz parte.

 

13. Compreendendo o uso de testes a partir do ludodiagnóstico

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Compreendendo o uso de testes a partir do ludodiagnóstico

Helena Rinaldi Rosa

P

enso que, em qualquer contexto em que estejamos atuando, clínico ou não, sempre partimos de uma avaliação, um diagnóstico do que está ocorrendo, para então atuarmos segundo a proposta que, no nosso entendimento, deve ser adequada para aquela situa­ção em que vamos intervir. Entendo também que o nosso fazer, o nosso trabalho, se dá e deve se dar inserido no mundo, na realidade, nas demandas feitas pela sociedade para a psicologia. Para atender a essas demandas, é necessário fazer uma crítica em relação à situação e considerar a finalidade da demanda, mas ao fazê­‑lo deve­‑se ter o comprometimento ético e científico exigidos em cada situação.

Hoje grande parte da demanda do psicólogo, na saúde, seja privada ou pública, e também no Judiciário, na escola, em instituições e até em empresas, tem a ver com resolver problemas que envolvem aspectos psicológicos. Sobre estes podemos – e devemos – falar, o que significa entender – e, portanto, avaliar – o que se passa e sugerir formas de solução. Para se resolver um problema psicológico, é preciso saber qual é ele, o que o afeta, ou seja, é necessário fazer um diagnóstico, uma avaliação, para depois sugerir encaminhamentos.

 

14. Avaliação lúdica na psicoterapia infantil

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Avaliação lúdica na psicoterapia infantil

Rosa Maria Lopes Affonso

A

Clínica Psicológica do Centro Universitário FMU (UniFMU) atende por ano, em média, 180 casos de crianças de 2 a 12 anos, encaminhadas por escolas, médicos, hospitais, postos de saúde e profissionais em geral. Essa população é atendida por alunos do quinto ano do curso de Psicologia, sob a supervisão de professores da área de Psicodiagnóstico e Psicoterapia Breve Infantil.

Até 1999, tinha­‑se como procedimento não aceitar para atendimento crianças com traços de personalidade indicando diagnóstico de psicose. Essa decisão baseava­‑se no fato de que muito pouco estudo clínico existia sobre essas crianças, além do que o próprio diagnóstico ainda era muito questionável. Além disso, por se tratar de casos graves, os alunos não apresentariam ainda condições clínicas para a realização de tais diagnósticos. Este último argumento baseava­‑se ainda no fato de o cliente causar vários transtornos na clínica durante a realização do atendimento, muitas vezes, não contornados pelo aluno. Diante disso, decidiu­‑se que esses casos seriam apenas atendidos por professores interessados em pesquisa.

 

15. O brinquedo e o desenho: expressão e comunicação de e com crianças – possibilidades diagnósticas e interventivas

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O brinquedo e o desenho

Expressão e comunicação de e com crianças – possibilidades diagnósticas e interventivas1

Leila salomão de la plata Cury Tardivo

N

esse capítulo, farei algumas considerações a respeito das atividades lúdica e gráfica como meios de expressão de crianças e com crianças e sobre como tais atividades podem e devem fazer parte do trabalho do psicólogo, em especial no contexto clínico.

Dessa forma, pretendo apresentar como alguns autores em psicologia e psicanálise abordam e encaram o jogo e o desenho, que são formas de se aproximar de crianças e adolescentes e de conhecê­‑los. Discutirei ainda como, a partir desse encontro, podem­‑se desenvolver trabalhos interventivos, desde o psicodiagnóstico interventivo e a psicoterapia individual, em grupo, além de enquadres diferenciados, como consultas e oficinas terapêuticas.

O resumo apresentado nos próximos parágrafos faz parte da introdução teórica de uma pesquisa clínica que deu origem

à dissertação de mestrado A observação lúdica e o psicodiagnóstico compreensivo: aplicações do referencial de análise do pro­ cedimento de desenhos­‑estórias (Menichetti,

 

16. O lúdico no contexto hospitalar: quando o brincar no contexto hospitalar é recreação e quando é ludoterapia

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O lúdico no contexto hospitalar

Quando o brincar no contexto hospitalar

é recreação e quando é ludoterapia

Katia Wanderley

O

lúdico no contexto hospitalar pode ser considerado, de um lado, como uma recrea­

ção e, de outro ângulo, como instrumento técnico sustentado por um aporte teórico, tendo como objetivo o tratamento do psiquismo de crianças.

O lúdico enquanto recreação não é científico, e a brinquedoteca pode ser um exemplo dessa atividade. A brinquedoteca

é um espaço geralmente encontrado nas enfermarias e ambulatórios de pediatria, onde as crianças brincam na companhia dos familiares e/ou de outras crianças. Na maioria das vezes, a brinquedoteca situa­

‑se em um local que oferece conforto para que a criança brinque sem comprometer a rotina do serviço e sem ser importunada na sua brincadeira pelos procedimentos clínicos. Costuma ser um espaço aberto, sendo possível a qualquer um observar a brincadeira da criança e, se quiser, também com ela brincar.

Na brinquedoteca há necessidade de um funcionário para administrar a distribuição dos brinquedos, zelar pela sua manutenção e garantir que o espaço seja aproveitado da melhor forma possível. A recreação é muito bem desenvolvida pelos voluntários, que visitam enfermarias contando histórias e brincado com os pacientes.

 

17. O uso do recurso gráfico como meio de interação e comunicação com crianças hospitalizadas

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O uso do recurso gráfico como meio de interação e comunicação com crianças hospitalizadas

Sandra R. de Almeida Lopes

O

ambiente hospitalar muito difere do ambiente no qual a criança está inserida a maior parte do tempo. Entretanto, a partir do momento em que adoece, ela vê­‑se diante da necessidade de passar por um período de internação hospitalar. Acrescido ao sofrimento provocado pelo próprio adoecimento ou pelos procedimentos clínicos invasivos, a criança experimenta o sofrimento de estar num lugar estranho, distante dos familiares e privada das atividades que sempre fizeram parte do seu cotidiano.

A hospitalização, embora ocorra com a finalidade de promover recuperação ou melhoria na qualidade de vida, desperta nos pacientes sentimentos confusos e contraditórios, além de desencadear diferentes reações emocionais. As reações mais comumente observadas são: regressão, depressão, ansiedade, mobilização de defesas, sintomas psicossomáticos, intensificação do vínculo afetivo com o cuidador, fantasias assustadoras e distorcidas, isolamento e precipitação ou agravamento de sintomas psicopatológicos pré­‑mórbidos.

 

18. O ludodiagnóstico no contexto jurídico

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O ludodiagnóstico no contexto jurídico

Claudia Anaf

Dagmar Menichetti

Roberto Evangelista

F

requentemente, a Psicologia tem sido cha­mada pelo Poder Judiciário, pelo Ministério Público, pelos centros de perícias médico­‑forenses e pelas instituições jurídicas em geral para aclarar os dramas da vida humana e dirimir controvérsias que se assinalam no campo psicoforense, a fim de elaborar diagnósticos, instruir os autos do inquérito policial e oferecer subsídios especializados às autoridades requisitantes dos ministérios públicos e tribunais de Justiça

(Evangelista, 2000; Evangelista e Menezes,

1999). Neste particular, evidencia­‑se cada vez mais uma contribuição do psicólogo para o sistema de justiça e uma intersecção possível entre as duas ciências – Psicologia e

Direito – respectivamente entre o mundo do ser (mundo psicológico, identidade, subjetividade, psíquico, etc.) e o mundo do dever ser (mundo das normas, leis, regras, etc.).

Em particular, na área da infância e juventude, cada vez mais são reconhecidos o saber psicológico e a relevância da avaliação psicológica para a confecção de pareceres técnicos. No Ministério Público, esta atuação se verifica no decorrer da instrução criminal visando obter subsídios para o processo crime requerido pelo promotor de justiça. Nos tribunais de Justiça, os psicólogos realizam perícias e pareceres psicológicos

 

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